domingo, 2 de agosto de 2009

Defenda aquilo que você acredita!!!

Supondo que alguém perguntasse ao condenado a morte Sócrates se ele não se arrependia de ter dedicado sua vida inteira a uma prática que agora o conduzia a um trágico fim, é provável que o mesmo respondesse:
Estás enganado se pensas que um homem de bem deve ficar pesando, ao praticar seus atos, sobre as possibilidades de vida ou de morte. O homem de valor moral deve considerar apenas, em seus atos , se eles são justos ou injustos, corajosos ou covardes.
(PLATÃO, 2007, p. 63)
Assim era e pensava o homem-marco divisor da história da filosofia clássica. Nascido em Atenas (469-399 a.C.), era filho de um escultor e de uma parteira. Talvez por isso tenha sabido tão bem esculpir homens e idéias, e fazer da sua maiêutica (literalmente "arte de trazer à luz", em grego), tantas consciências obscurecidas nas trevas cavernosas da consciência.
Sócrates aprendeu com os sofistas a se concentrar nas questões que diziam respeito diretamente ao homem, ao invés de, como os chamados pré-socráticos, tentar explicar a natureza. Mas, diferente dos sofistas, abriu mão do relativismo das idéias e valores e da retórica como arte de atingir interesses pequenos. Preocupou-se com a busca da Essência do homem e de idéias como Bem, Verdade, Justiça, Amor e Belo. Ultrapassava assim a notação do meramente empírico, para tentar compreender o homem em sua anima, alma, eu-consciente. Por isso o "conhece-te a ti mesmo" tornado lema e leme, numa clara opção pelo humano e seus labirintos. Apesar de não ter deixado nada escrito, deixou marcas de texto e textura em seus discípulos (Xenofonte, Platão) e adversários (Aristófanes, por exemplo), que o imortalizaram.
O método filosófico de Sócrates era de uma coerência e artimanha aracnídeas: consistia em usar, de maneira estratégica, dois recursos complementares: a Ironia e a Maiêutica. No primeiro momento, interrogava seus interlocutores sobre o que estes pensavam saber, daí atacava de maneira lúcida (e, em geral, brilhante) suas respostas, até destronar seus "conceitos" e, é claro, a empáfia de sua arrogância. Costumava ser uma luta injusta, em que as "reflexões" eram sutilmente desmascaradas como idéias sem substância.
Demolidos em seu orgulho de saber, era hora de Sócrates dar o segundo passo: reconstruir. Uma nova série de questionamentos ajudava os discípulos a tocar os nervos reais de suas idéias, concebendo conceitos mais profundos e universais. Como sua mãe, Sócrates habilmente ajudava a filosofia a nascer daquelas consciências e, rapidamente respirar. Mas, eis a questão.
Sua profunda concepção de liberdade e pensamento o fazia questionar tudo, e não apenas isso, ensinar outros a questionar também. Dos poderes constituídos aos deuses, tudo era esquadrinhado, medido, pesado, num esforço dialético épico. Os valores dogmáticos da sociedade ateniense foram postos em xeque, e Sócrates aplicava livremente sua arte de fazer pensar em homens "livres" e "escravos", ricos e pobres, mulheres e estrangeiros, comportamento de todo inaceitável para a cultura aristocrática da época. Some-se a isso a inveja que provocava e temos um coquetel molotov (ou será de cicuta?) pronto para transformar-se em acusação, processo, julgamento e condenação. Porque, diz Voltaire:
Sim, Sócrates tem razão, mas está errado em ter razão tão publicamente.
(RÓNAI, 1985, p. 904)
Platão transcreve a defesa de Sócrates em três partes. Na primeira o filósofo enfrenta e contra-argumenta, como sempre com ironia e lucidez, as causas de seu julgamento. Corajosamente expõe as verdadeiras razões que o levaram até ali e, na pessoa de Meleto, desenvolve a discussão final de sua vida contra o poder arrogante e a inveja. A segunda e terceira partes são o discurso final de Sócrates, já ciente de sua condenação à morte. Ao invés do tom dramático e choroso que se poderia esperar do contexto, a certeza da morte próxima que liberta dá ao condenado ainda mais coragem (séculos mais tarde Schopenhauer diria: "quem está indo para a forca não se mata no caminho"). Vomita, por assim dizer, suas últimas e mais severas palavras, já livre de todo o asco e claramente consciente do que sua morte representa para suas idéias, por um lado, e para a vida de seus acusadores, por outro:
Agora, pois, quero vaticinar-vos o que se seguirá, ó vós que me condenastes, porque já estou no ponto em que os homens vaticinam melhor quando estão para morrer. Digo-vos, de fato, ó cidadãos que me condenastes, que logo depois da minha morte vos virá uma vingança muito mais severa, por Zeus, do que aquela pela qual me tendes sacrificado. Fizestes isso acreditando livrar-vos ao aborrecimento de terdes de dar conta da vossa vida, mas eu vos asseguro que tudo sairá ao contrário.
(PLATÃO, 2007, p. 87)
O cumprimento da profecia do filósofo foi quase tão fulminante para seus acusadores quanto o veneno que o matou: Lícon, renegado e humilhado, suicidou-se; Anito, exilado, foi morto por apedrejamento, enquanto Meleto foi condenado à morte.
Mesmo em seus últimos momentos Sócrates manteve-se firme na verdade de sua Verdade:
Porque morrer é uma ou outra dessas duas coisas: ou o morto não tem absolutamente nenhuma existência, nenhuma consciência do que quer que seja, ou, como se costuma dizer, a morte é precisamente uma mudança de existência e, para a alma, uma migração deste lugar para um outro. (...) No entanto, tudo o que lhes peço é o seguinte: quando os meus filhinhos ficarem adultos, puni-os, ó cidadãos, atormentai-os do mesmo modo que eu vos atormentei, quando vos parecer que eles cuidam mais das riquezas ou de outras coisas que da virtude.(...) Mas, já é hora de irmos: eu, para a morte, e vós para viverdes. Mas, quem vai para melhor sorte, isso é segredo, exceto para Deus.
(PLATÃO, 2007, p. 88, 90)

segunda-feira, 30 de março de 2009

Passo a Passo!!!

De uma simples verificação da nossa tragetória de vida, é possível perceber de forma clara que, não há nada fácil.
Não há quem tenha construido uma escada, sem que a começasse pelos primeiros degraus.
Não há quem tenha construído uma ponte, sem primeiro fazer sua base de sustentação.
Ora, nossos dias não são diferentes, não há como fugir dessa regra milenar.
Quantas vezes, queremos antecipar aquilo que está guardado para nós...
Quantaas vezes, achamos que tudo tem que ser e acontecer na hora que queremos...
Ahhh... Não é assim!
Bom seria, se tudo fosse da forma que desejasse nossos corações...
Bom seria, se aquela pessoa tão sonhada fosse real em nossas vidas...
Bom seria, se o carro que foi lançado pudesse ser nosso...
Bom seria, se a cada estação do ano, pudessemos viajar...
Enfim... nada é da forma que queremos. Agora, não é o fim!
Está escrito no livro do salmista Davi, no capítulo 37 e vercículo 4 : Agrada-te do SENHOR, e ele satisfará os desejos do teu coração.
Coloca Deus em primeiro lugar na tua vida, e ele, te honrará, e te dará aquilo que deseja o teu coração!
Há tempo para plantar e há tempo para colher.

Que Deus possa nos abençoar.
Amém!

sexta-feira, 6 de março de 2009

O fardo de um verdadeiro ADVOGADO criminalista!

Hoje vivi algo muito forte na minha vida, nesse início de carriera como causídico. Hoje, pude presenciar algo valioso a qual jamais vou esquecer.
Lembrei dos 5 anos que passei sentado em um banco de faculdade...
Como eram chata as aulas de sociologia... Filosofia... ahh.. Meu grande mestre WILSON... 73 anos, e lá ele estava...
Então...
Um gravíssimo erro pode ser corrigido a tempo...
Um homem acusado INJUSTAMENTE, teve sua prisão revogada, após passar amargantes 6 meses preso, isolado daquilo mais precioso para o homem... " LIBERDADE", simplesmente, POR QUE FOI CONFUNDIDO!
Voltaire considerava a advocacia a mais bela carreira humana... (Le plus bel état du monde).
E É... NÃO TENHO NEHUMA DÚVIDA E NÃO POSSO DESCORDAR DESSE IMORTAL FILÓSOFO.
Parodiando esse grande mestre, " data vênia" eu diria que a advocacia criminal é a mais bela especialidade da mais bela carreira humana. Porque ela cuida dos dois mais importantes bens que um ser humano pode ter, além da própria vida e da saúde: a liberdade e a honra.
Sobre a primeira, disse o tribuno paulista Américo Marco Antonio que a liberdade, esse bem supremo, tudo merece, tudo desculpa; e sobre a segunda, escreveu Shakespeare que o bom nome é a primeira jóia do coração do homem.
Mas o advogado criminalista é, em geral, mal compreendido, confundindo-se sua pessoa com a do cliente que defende, só sendo verdadeiramente entendido por quem dele vem a precisar.
Imaginem se não fosse a luta inconstante desse humilde causídico que subscreve esse pequeno artigo...?
Discorrendo sobre esse paradoxo - a beleza da advocacia criminal e a incompreensão quanto ao seu exercício - afirmou certa vez, com rara felicidade, o saudoso criminalista carioca Antonio Evaristo de Moraes Filho: " Temos o dever de prosseguir na batalha em defesa de nosso mais importante cliente: a liberdade individual". Sabemos que no desempenho desta missão, quer nos regimes totalitários, quer nas democracias, os espinhos sangrarão nossos pés durante a caminhada.
Nas ditaduras descerá sobre nós o ódio dos senhores do poder, por defendermos os inimigos da pátria.
No Estado de Direito Democrático, por ampararmos os odiados, acabaremos por partilhar com nossos clientes o opróbrio da opinião pública. De qualquer forma, não devemos desanimar, mesmo porque a história tem sido generosa conosco...
Para os jovens advogados quen nem eu... (quer dizer, me considero um ADVOGADO. É bem verdade que só poderei de fato e de direito, após o resultado do dia 24 próximo), apesar dessas dificuldades e incompreensões, desejarem seguir a advocacia criminal, eu diria que só a sigam se tiverem realmente vocação, muita compaixão pelo ser humano e um grande amor à liberdade.
E repetiria o decálogo que fiz : "tenham consciência de que escolheram a mais bela das especialidades da advocacia; orgulhem-se dela e a exerçam com dignidade, não compactuando jamais com a violência ou a corrupção; advoguem com alegria, lembrando-se de que seu verdadeiro cliente e, ao mesmo tempo, sua maior causa, é a liberdade; ao decidir se aceitam patrocinar uma defesa, preocupem-se menos em saber se o cliente é inocente do que se sua consciência de advogado e ser humano permite defendê-lo; ao serem procurados para atuar como assistente do Ministério Público ou querelante, busquem certificar-se de que a pessoa que vão acusar é realmente culpada; não transformem cada defesa ou acusação em uma verdadeira guerra, onde tudo é permitido; façam valer suas prerrogativas profissionais; não se preocupem com o sucesso dos colegas, mas apenas com suas próprias causas e seus próprios clientes; dediquem-se a fundo às causas que lhes forem confiadas e procurem produzir a melhor prova possível em favor de suas teses; escolham, entre os colegas mais velhos, um que lhes sirva de modelo e inspiração".
Como eu, fiz uma escolha, decidi ter como referência um dos maiores causídicos desse país. Tive o privilégio de trabalhar ao seu lado, lhe auxiliando no 1º e no 2º de jurisdição.
Meu grande mestre Dr. Valdir Perazzo Leite.
É isso...
Esse é o nosso fardo, pesado, espinhoso...!
Porém, absolutamente gratificante.